terça-feira, 8 de maio de 2012

Manifestantes entregam pizza na Câmara em protesto contra os supersalários

Fonte: http://www.gazetamaringa.com.br/Walter Fernandes / Gazeta Maringá / Pizzas foram distribuídas para as pessoas que acompanhavam a sessão. Vereadores rejeitaram o prato

Pizzas foram distribuídas para as pessoas que acompanhavam a sessão. Vereadores rejeitaram o prato

O protesto foi pacífico. Como os políticos não aceitaram comer o prato, os manifestantes distribuíram o alimento para as pessoas que acompanhavam a sessão
08/05/2012 | William Kayser
Cerca de 20 manifestantes contrários à aprovação dos supersalários dos vereadores distribuíram pizzas durante a sessão da Câmara Municipal de Maringá (CMM) na tarde desta terça-feira (8). Os manifestantes exigem que o aumento do salário dos políticos seja reduzido. O pagamento dos vereadores, válido apenas para a próxima eleição, subiu de R$ 6,3 mil para R$ 12 mil. No entanto, existe a possibilidade de o valor diminuir para R$ 8 mil.
Revogação dos "super salários" será votada na semana que vem
O presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara de Vereadores de Maringá, Carlos Saboia (PMN), confirmou na quinta-feira (3) que a revogação dos “super salários” será votada na semana que vem. “Vamos votar sem falta. Não passa de quinta [10]”, afirmou Saboia.
O reajuste de quase 90% nos salários dos vereadores foi aprovado em novembro do ano passado. No entanto, a pressão exercida pela comunidade fez com que alguns parlamentares revissem o posicionamento.
De acordo com a nova proposta, os vereadores devem ter um reajuste de 34,6% em seus subsídios, valor quase 60% menor do que havia sido definido anteriormente. O índice corresponde aos percentuais de reposição concedidos aos servidores públicos do legislativo municipal entre 2006 e 2012, período em que o salário dos vereadores não sofreu alteração. Os salários, portanto, passariam de R$ 12 mil para R$ 8 mil.

“Nós trouxemos as pizzas para os vereadores, mas eles não quiseram receber”, contou um dos organizadores do protesto, o técnico em segurança no trabalho Renato Bariani. Alguns dos manifestantes estavam vestidos de pizzaiolos.
“Eles disseram que não iriam comer porque estavam sendo filmados. Disseram que não ficaria bom para a imagem deles.”
O protesto foi pacífico e, como os políticos não aceitaram comer as pizzas, os manifestantes as distribuíram para as pessoas que acompanharam a sessão da CMM.
Polêmica
O vereador Heine Macieira (PP) não gostou da manifestação e criticou os participantes do protesto durante a sessão. “Existem pessoas que gostam de fazer algazarra e aproveitam momentos oportunos para aparecer na mídia”, criticou Macieira. “São pessoas que não chegam a lugar algum.”
Os pizzaiolos não engoliram a opinião do vereador e foram contrários ao que ele disse, principalmente por ter falado ao microfone. “Macieira fez declarações fortes, dizendo que somos desocupados. Foi constrangedor”, argumentou Bariani.

Beto Richa veta lei que incentiva agroecologia e alimentos orgânicos


MANIFESTO A FAVOR DA AGROECOLOGIA NO PARANÁ
CONTRA O VETO DO GOVERNADOR AO PROJETO DE LEI Nº 403/11

 O mundo vive um momento crítico no aspecto socioambiental. A realização da Rio+20, em 2012, no Brasil, ressalta a necessidade de priorizar políticas públicas sustentáveis. A Agroecologia é uma estratégia fundamental para a construção de uma sociedade sustentável, solidária e saudável.
Contrária a essa tendência, no mês de abril passado, o governador Beto Richa vetou o Projeto de Lei nº 403/11 que incentiva a implantação de sistemas de produção agroecológica e orgânica pelos agricultores familiares no Estado do Paraná. Este PL foi construído pelo conjunto das entidades da sociedade civil - após sucessivas e amplas reuniões e audiências públicas. Contou com o envolvimento direto das instituições públicas estaduais e foi pautado no Programa Paraná Agroecológico, referendado pelo próprio Governo Estadual, em 2011. Após a sua discussão e aprovação nas diversas Comissões, em especial na Comissão de Constituição e Justiça - que o julgou pela constitucionalidade – obteve aprovação unânime da Assembléia Legislativa Estadual do Paraná.
A justificativa apresentada pelo governador Beto Richa para o veto - além de equivocada - é descabida, inoportuna e parcial, pois atribui importância somente ao agronegócio e ignora o papel da agricultura familiar, enquanto produtora de 70% dos alimentos consumidos para a população. Além disso, desconsidera a importância da Agroecologia e da produção orgânica como estratégia do desenvolvimento rural sustentável e da promoção da saúde da população. Lamentável, portanto, o governador Beto Richa vetar o PL considerando-o “...inconstitucional e contrário ao interesse público”.

A partir do exposto, as entidades abaixo mencionadas conclamam para manifestação contrária ao veto do governador do Paraná, por meio de envio de mensagens, (betoricha@betoricha.com.br, vicegov@ccivil.pr.gov.br, durvalamaral@ccivil.pr.gov.br,nortigara@seab.pr.gov.br, traiano@pr.gov.br, dep.welter@pr.gov.br, vrossoni@hotmail.com),

e participação na sessão plenária da Assembléia Legislativa do Paraná, no dia 15 de maio, a partir das 14h30m.



RETIRE O SEU VETO, BETO!
Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-AGROECOLOGIA)
Associação para o Desenvolvimento de Agroecologia (AOPA), Associação dos Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná (ACOPA), Comitê Paranaense da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
Cooperativa Central de Reforma Agrária (CCA), Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Paraná (CONSEA-PR), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA/PR), Conselho Regional de Nutricionistas 8ª Região (CRN8 - PR), Diretório Central de Estudantes (DCE/UFPR), Federação de Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN)
Fórum Estadual de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional do Paraná (FESSAN-PR), Rede Ecovida da Agroecologia, Rede Puxirão de Povos e Comunidades Tradicionais, Serviço de Assessoria Jurídica Universitária Popular (SAJUP), Sindicato dos Engenheiros do Paraná (SENGE), Terra de Direitos, Universidade Federal do Paraná – Litoral, União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (UNICAFES)


Fonte: Blog do Tarso

Filme de Sílvio Tendler mostra estratégia que derrubou ditadura

Fonte: Portal Vermelho  
O documentário de Tendler Tancredo - A Travessia, lançado em outubro do ano passado, mostra como Tancredo Neves construiu a arquitetura política que derrubou a ditadura militar no próprio colégio eleitoral que ela criou, o das eleições indiretas.

O filme começou a nascer há 26 anos, quando Tendler foi autorizado a documentar a posse de Tancredo Neves como presidente do Brasil. A posse não houve porque, a poucas horas da cerimônia,o presidente eleito não tinha condições de assumir. "Ele virou personagem de uma tragédia grega", sentencia Tendler.



O projeto sobre Tancredo fecha o que não deixa de ser uma trilogia, iniciada por Os Anos JK, sobre a presidência de Juscelino Kubistchek, e Jango, sobre João Goulart, que virou estandarte da campanha pelas Diretas. Os Anos JK fez 800 mil espectadores, Jango passou de um milhão. Tendler foi ainda mais longe e seu documentário sobre Os Trapalhões fez estratosféricos 1,7 milhão de espectadores.

Juntando material filmado e de arquivo, Tendler reuniu cerca de 40 horas sobre Tancredo Neves. Não foi um filme difícil de montar, pelo contrário. Durante todo o tempo, Tendler pensava em fazer justiça ao político, mas também ao homem. "Tancredo foi um grande estrategista político. Viveu vinte anos à sombra da ditadura. Tinha fama de conservador. Mas foi ele quem construiu a travessia da ditadura para a redemocratização. Tancredo garantiu a transição pacífica. E ele era um homem engraçado. Tanto quanto o político, queria servir ao homem."

Mineiro não é radical

Durante as sessões do filme no Festival Internacional de Documentários "É Tudo Verdade", o público não resistia. Ria e chegou a aplaudir uma declaração de Tancredo: "Mineiro que é radical pode até ter nascido em Minas, mas não é mineiro".

Seu nome virou sinônimo de negociador, e nunca foi associado a denúncias de corrupção, esse flagelo que hoje, mais que nunca, assola a política, e não apenas a brasileira. Tendler conta porque isso é tão importante no momento atual. "Há uma descrença dos jovens na política e nos políticos. Mas quando eles negam sua participação política, seu engajamento, na verdade estão fazendo uma política perigosa. Tancredo é uma boa ferramenta para o jovem descobrir a arte e a esperteza, a astúcia da política."

Trabalho de formiguinha

Tendler tem feito um trabalho de formiguinha. Ele levou o filme aos mais distantes rincões do Brasil. Só esta semana esteve em São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas e Brasília. Os campinenses estão assistindo a uma retrospectiva de sua obra. Tendler tem muito orgulho de O Veneno Está na Sua Mesa, um documentário de 40 minutos sobre os agrotóxicos que disponibilizou na internet.

"É só entrar no YouTube, digitar o título que o filme vai aparecer, com a recomendação de que sejam feitas cópias para ajudar na circulação das informações."

Palavras como humanidade e conscientização não perderam o sentido para esse veterano batalhador. Ele sabe que, à margem das telas, Tancredo - A Travessia conta com as redes sociais para tentar criar um bochicho. Talvez, fora das vias tradicionais, Tancredo termine fazendo um milhão de espectadores - Veneno já fez 100 mil na rede. Tendler põe fé no filme. Muita gente já lhe disse que é seu documentário mais emocionante.

Vai ser difícil ficar indiferente diante da integridade do dr. Tancredo, que recorreu à figura mítica de Tiradentes em sua campanha presidencial. Como o inconfidente, o negociador, mineiro até a medula, também era "enlouquecido por liberdade".

Da Redação, com informações do Estadão

Veja também:
-Silvio Tendler na luta pela vida

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Vamos tratorar quem é contra apenas por ser contra e não tem proposta! diz Silvio Barros (PP)

Após muitos debates e audiências públicas sobre a possibilidade do município de Maringá adotar a Incineração do Lixo, onde a população através das suas entidades, por reiteradas vezes, manifestaram-se contrários à proposta sugerindo uma solução ambientalmente adequada,  com a Educação Ambiental, a Redução da Geração e a Reciclagem e Compostagem. Mesmo  com essa proposta concreta do que fazer com os Resíduos Sólidos Urbanos de Maringá, o Prefeito Silvio Barros (PP), que se licencia por 100 dias com um valor da inscrição da Prefeitura da Maringá na Rio +20 correspondente a oito meses de auxílio às cooperativas que recolhem o lixo reciclável do maringaense, lei que a administração maringaense recusa-se a cumprir, mantém o discurso e afirma que o Prefeito Pupin (PP) dará continuidade à administração e encaminhará o edital com a proposta de Incineração do Lixo.

Ouça (clicando na imagem abaixo) - ao final da terceira entrevista à CBN  - a declaração do Prefeito Silvio Barros (PP) dizendo que irá "TRATORAR MESMO" - e que somos ignorantes e falamos bobagens. Os dados científicos confiáveis que ele apresenta foram todos refutados  pelos especialistas em audiências públicas realizadas e, no entanto, ele nos chama de ignorantes!


Clique Aqui: Ouça aqui Entevista do coordenador das promotorias de meio ambiente do Ministério Público do Paraná, Saint Clair Honorato dos Santos e do Representante da Frances Liberté no Brasil - André Abreu




Ministério Público deve propor em breve uma ação judicial obrigando o Estado do Paraná a concluir o plano diretor do Hospital Universitário de Maringá

Ouça entrevista na Rádio CNB/Maringá.

Nos últimos 12 meses o Ministério Público processou o HU, o Estado e o Município inúmeras vezes para garantir que pacientes fossem atendidos no maior hospital público da região
De 2011 até agora a Promotoria de Justiça de Proteção à Saúde Pública de Maringá entrou com 6 ações. A enxurrada de processos tem demonstrado que o Ministério Público é essencial para que a fila do HU ande. Acompanhe a reportagem especial produzida por Luciana Peña e Everton Barbosa.
A produção da CBN entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Estado e aguarda retorno. E você ouviu nesta reportagem a fala do presidente do Conselho de Saúde de Maringá, João Scramin. A entrevista foi feita na quinta-feira. No sábado João Scramim morreu aos 71 anos de idade

Imperdível: Reportagem da Record desmascara a Revista Veja



Clicar na Imagem para assistir a reportagem!
 
A população brasileira anseia pela explicação dos órgãos de imprensa envolvidos no esquema Cachoeira.
 
Todos aguardam os próximos passos da CPI Mista que investiga a relação entre o contraventor e agentes públicos e privados.
Benildes
Fonte: TV Record/Youtube

Dia Internacional Contra a Homofobia



Em 17 de maio de 1990, a Assembleia Mundial da Saúde decidiu retirar a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa importante data, marco de um grande avanço nas relações humanas, foi escolhida como Dia Internacional Contra a Homofobia e Transfobia.

Passadas duas décadas, a homofobia, infelizmente, ainda persiste em nossa sociedade. Estudos publicados nos últimos cinco anos vêm demonstrando e confirmando cada vez mais o quão a homo-lesbo-transfobia (medo ou ódio irracional às pessoas LGBT) permeia a sociedade brasileira e também está presente nas escolas.

A pesquisa intitulada "Juventudes e Sexualidade", realizada pela Unesco em 2000 e publicada em 2004, foi aplicada em 241 escolas públicas e privadas em 14 capitais brasileiras. Segundo resultados da pesquisa, 39,6% dos estudantes masculinos não gostariam de ter um colega de classe homossexual, 35,2% dos pais não gostariam que seus filhos tivessem um colega de classe homossexual e 60% dos professores afirmaram não ter conhecimento o suficiente para lidar com a questão da homossexualidade na sala de aula.

Presidente da Câmara de Maringá diz que vereadores querem aumentar o valor dos subsídios e não dá prazo para votação do projeto que reduz os $uper$alários dos vereadores, secretários, prefeito e vice

Os Vereadores de Maringá preparam mais um Golpe à democracia e tentam enganar a população com argumentos que, na verdade, são subterfúgios para aumentar o valor dos seus próprios subsídios.

Em entrevista à rádio CBN o Predidente da Câmara de Vereadores Mário Hossokawa diz que uma maioria quer um aumento do valor dos vereadores.

A Comissão realizou uma reunião extraordinária no dia 1º de março com representantes da sociedade civil organizada para discutir a revisão dos subsídios dos vereadores da próxima legislatura. O evento  teve a participação de 18 entidades e do Movimento $uper$aláriosnão! Na reunião, a Comissão de Finanças e Orçamento (CFO) da Câmara Municipal apresentou  aos representantes da sociedade organizada, em 1º de março de 2012, um estudo com sugestões do subsídio a ser pago aos vereadores maringaenses a partir de 2013.  

O Movimento Super$aláriosnão exige a manutenção dos valores que foram discutidos com a sociedade e que estão no projeto original da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara de Maringá, formada pelos vereadores Dr. Carlos Eduardo Saboia (PMN), Belino Bravin Filho (PP) e Humberto Henrique (PT).

A proposta ficou entre a mera reposição da inflação – com projeção de R$ 7 mil mensais para o ano que vem – e o teto de R$ 8.399, valor que levaria em conta perdas acumuladas no período de 2005 a 2008. Na ocasião, a Sociedade Civil Organizada representada pelas 18 entidades, aceitou a proposta da Comissão. No entanto, uma maioria dos vereadores quer a equiparação dos valores dos vereadores com o dos Secretários Municipais, aumentando o valor para R$ 9.400,00.

Consideramos que esse aumento do valor não condiz com o que foi discutido e deliberado pela Sociedade na reunião pública realizada com a Comissão de Finanças e Orçamento.

A justificativa dos vereadores é que a função de vereador estaria sendo reconhecido como de menor importância do que a função de um Secretário Municipal.  O Movimento $uper$aláriosnão entende que isso não é verdadeiro, e que se justifica o vereador receber menos em função da sua carga horária ser menor e pelo fato dos vereadores terem a possibilidade de continuar com o exercício das suas profissões, agregando aos seus rendimentos os provimentos das suas atividades profissionais, o que não ocorre no caso dos Secretários Municipais.

Ouça na entrevista do Presidente Marios Hossokawa a justificativa que consideramos como um golpe à democracia ao que foi defenido em comum acordo com a Comissão de Finanças em Orçamento e a Sociedade Civil Organizada.
Entidades debatem proposta de salário a ser apresentada aos vereadores
Pelos motivos expostos acima, o Movimento $uper$aláriosnão está convocando um ATO DE ENTREGA DE PIZZAS para os vereadores no dia 08 de maio, às 16hs - Na Câmara de Vereadores.

Diga não ao golpe contra a população de Maringá. Participe do

 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Desenvolvimento Sustentável e Erradicação da Miséria pela ótica do Movimento Negro

CARTA DO RIO DE JANEIRO
Desenvolvimento Sustentável e Erradicação da Miséria pela ótica do Movimento Negro
Reunidos no seminário “Desenvolvimento Sustentável e Erradicação da Pobreza pela ótica do Movimento Negro”, preparatório para a Conferência Rio + 20, realizado nos dias 28 e 29 de abril no Rio de Janeiro, nós do Movimento Negro brasileiro declaramos que envidaremos todos os esforços necessários em defesa do povo negro, dos povos indígenas e dos povos vítimas do racismo, discriminação racial, xenofobia e diversas formas de opressão e intolerâncias.
Uma síntese dos indicadores sociais produzidos por diversas agências de pesquisas como a Fundação Instituto Brasileiras de Geografia Estatística (IBGE), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Organização das Nações Unidas (ONU) dentre outras, nos permite afirmar que nos últimos 10 anos, quase 22 milhões de pessoas saíram da situação de pobreza extrema, graças aos programas sociais do governo. Hoje, no Brasil, 20% das famílias vivem de programas de transferência de renda através dos recursos públicos como aposentadorias, “bolsa família” e assistência social.
No entanto, cabe considerar que a população brasileira extremamente pobre, ou seja, aquela que sobrevive com menos de um dólar por dia, é estimada em 16 milhões de habitantes, dos quais 9,6 milhões ou 59% estão concentrados no Nordeste. Do total de brasileiros residentes no campo, um em cada quatro se encontra em extrema pobreza (4,1 milhões de pessoas ou 25,5%). 51% têm até 19 anos de idade. 53% dos domicílios não estão ligados a rede geral de esgoto pluvial ou fossa séptica. 48% dos domicílios rurais em extrema pobreza não estão ligados a rede geral de distribuição de água e não tem poço ou nascente na propriedade. 71% são negros (pretos e pardos). 26% dos que tem 15 anos ou mais, ou seja, 4 milhões são analfabetos.
A realidade vivida pelas comunidades quilombolas no Brasil e pelas comunidades religiosas de matriz africanas e pela maioria negra, não parece ser muito diferente da época do Brasil escravocrata. É diante desse quadro, que o Movimento Negro brasileiro realizou o Seminário “Desenvolvimento Sustentável e Erradicação da Pobreza”, nos dias 28 e 29 de abril, com o objetivo de preparar a militância negra para participar da Cúpula dos Povos, na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, que será realizada em junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro.
Entendemos que o agravamento das questões ambientais tem atingido significativamente as comunidades negras, submetendo-as a um quadro de injustiça ambiental alarmante.
Em quase todos os indicadores econômicos e sociais, observamos a ampliação do abismo social entre negros e brancos com relação a emprego, renda, escolaridade, acesso à justiça, poder. O drama social acomete com maior gravidade a população negra, que habita as favelas e periferias desestruturadas, torna-se presa fácil da criminalidade, assiste seus jovens serem mortos pela violência urbana e nega oportunidades de mobilidade social.
Cerca de 50 mil brasileiros são assassinados por ano. Contudo, essa violência se distribuiu de forma desigual: as vítimas são, sobretudo, jovens negros do sexo masculino, entre 15 e 24 anos. O Índice de Homicídio na Adolescência (IHA) evidencia que a probabilidade de ser vítima de homicídio é mais do dobro para os negros em comparação com os brancos.
Temos assistido um silencioso massacre dos quilombolas pelas empresas construtoras de hidrelétricas, grandes proprietários de terras, latifundiários que roubaram as terras dos povos indígenas e dos quilombolas e mineradoras que cada dia mais avança suas minas sobre os territórios quilombolas e envenenam as terras com pilhas de rejeitos e resíduos tóxicos. O terror do racismo no espaço rural se agrava ainda mais com quilombolas sendo ameaçados de morte, comunidades sendo manipuladas para assinarem documentação de venda ou cessão de terras com o beneplácito das polícias estaduais.
O capitalismo é o grande responsável pelas crises econômica, alimentar e ambiental. O modelo de produção e consumo capitalista é incompatível com a preservação ambiental, como o uso coletivo das riquezas naturais e com a justiça social.
Os verdadeiros responsáveis pela devastação das florestas, pela poluição dos rios, mares, pela degradação dos biomas e insustentabilidade urbana em todo planeta são os países imperialistas e colonialistas, por isso afirmamos que os nossos povos não são responsáveis por tamanha espoliação dos seres humanos e da natureza. Não apoiamos o principio da responsabilidade comum, pois cabe aos países ricos o principal ônus da preservação. São nos países pobres e em desenvolvimento que encontramos a maioria dos povos vítimas da degradação ambiental, vítimas do racismo ambiental.
O Movimento Negro brasileiro compreende os quilombos como verdadeiros territórios de resguardo da biodiversidade, como verdadeiras escolas de diversidade cultural. No diálogo do Movimento Negro com povos e comunidades tradicionais de matriz africana, fica cada vez mais fortalecida de a idéia de que nós não somos responsáveis pela crise ecológica, pela pré-agonia dos nossos ecossistemas como a Amazônia e o Cerrado ou que restou da nossa Mata Atlântica.
Muito pelo contrário, o nosso ponto de partida é a cosmovisão de mundo negro-africana que tanto para as comunidades quilombolas quanto para os povos e comunidades tradicionais de matriz africana, a terra é concebida como território de reprodução cultural vivo, e portanto sagrado, ao contrario da lógica dos tecnocratas eurocêntricos , que vê a natureza apenas como fator de produção e lucro, matéria prima morta e os seres humanos como mercadoria e objetos de descarte.
É com a perspectiva de perceber a biodiversidade como um direito é que o Movimento o Negro buscará ampliar o debate no campo da ecologia política e dos direitos étnico raciais, onde diversas temáticas como o desenvolvimento sustentável, racismo ambiental, justiça e ética ambiental se interpenetram.
No centro das nossas reflexões impõe-se a critica a denominada “economia verde”, cujo eixo principal tem sido a mercantilização da natureza por parte do Capital. A adoção de políticas como: sequestro de carbono, privatizações das águas, do subsolo, fazem parte das estratégias de venda de bem público, que são os elementos da natureza, como “serviços” que são passíveis de privatização.
Consideramos que a “economia verde” é uma falsa saída para a crise ambiental e ecológica, porque os países ricos para não abrirem mão de sua qualidade de vida e consumo propõe implicitamente um desenvolvimento sustentável aos pobres, que na prática transforma o principio ecológico da sustentabilidade em merchandising, e transforma os recursos da natureza e os direitos dos povos em mercadorias, e assim mantém a desigualdade na posse e uso das riquezas naturais.
O Movimento Negro não concorda com isso. Lembremo-nos da África do Sul nos tempos do Apartheid onde a água era dos brancos e não um bem público. Portanto, vamos intensificar o diálogo com a nossa população para a importância da Cúpula dos Povos na Rio + 20 e a articulação com os povos indígenas e os movimentos sociais, buscando a construção de pontes e pontos de convergência.
Exigimos que o Estado brasileiro utilize sua influência política na Conferência Rio + 20 em defesa dos povos e nações pobres e em desenvolvimento, que defenda sua população vítima da ganância da elite capitalista brasileira e dos conflitos ambientais, destacadamente, as comunidades quilombolas, as comunidades religiosas de matriz africana, as comunidades tradicionais e das periferias dos grandes centros urbanos.
Enquanto militantes e cidadãos, não podemos, e não vamos permitir que o racismo nos submeta a violência simbólica e física, e que inclusive destrua o nosso legado ancestral e espiritual africano. Esse legado é libertário, ecológico e sagrado. A nossa emancipação é a tomada da consciência negra, dos nossos direitos enquanto sujeitos de nossa história, cuidadores do planeta Terra.
Rio de Janeiro, 29 de abril de 2012.
MNU – Movimento Negro Unificado; CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras; CENARAB – Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira; AMNB - Articulação de Mulheres Negras Brasileiras; Fórum Nacional de Mulheres Negras; CEAP – Centro de Articulação de Populações marginalizadas – RJ; ENEGRECER – Coletivo Nacional de Juventude Negra; UNEGRO – União de Negros pela Igualdade; CONAQ- Coordenação Nacional de Quilombos; CNAB - Congresso Nacional Afro-Brasileiro; Circulo Palmarino; Rede Amazônia Negra; ANCEABRA – Associação Nacional de Empresários Afro Brasileiros; CONAMI- Conselho Nacional de Mulheres Indígenas; APNS - Agentes de Pastoral Negro; SOWETO – Organização Negra - SP; Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da CUT; INTECAB – Instituto da Tradição e Cultura Afro-Brasileira; MONER; Ofarere Movimento Afroreligioso; Omokorins do Ilê de Oxaguian - MG; IPAC - Incubadora Afro Brasileira – RJ; AFRO BRASIL; CEDINE – Conselho Estadual de Direitos do Negro - RJ; Instituto do Negro Padre Batista; ASCEB; MAMATERRA; BAZAFRO; CRIAR; Rede Alimentação Ecosol – BAHIA; CONAM Nação Black; GAICUNE - RJ; TJ NEGRO; COJIRA – RIO; Negra Sim; FENAFAL; ASHOGUN; Núcleo de Comunidades Negras de Osasco; CEN - Coletivo de entidades negras; IGERE – MG; Dandara Mulheres do Cerrado; SINTERGIA – RJ.

Campanha contra o uso de agrotóxicos


             
Você sabia que todos os dias quando almoçamos e jantamos ingerimos uma quantidade enorme de venenos? Nossos alimentos estão contaminados porque as lavouras em todo o Brasil são pulverizadas com grande quantidade de agrotóxicos.
O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2009. Mais de um bilhão de litros de venenos foram jogados nas lavouras, de acordo com dados oficiais.
Os agrotóxicos contaminam a produção dos alimentos que comemos e a água (dos rios, lagos, chuvas e os lençóis freáticos) que bebemos!
Mas os venenos não estão só no nosso prato. Todo o ambiente, os animais e nós, seres humanos, estamos ameaçados!
Os agrotóxicos causam uma série de doenças muito sérias, que atacam os trabalhadores rurais, comunidades rurais e toda a população, que consome alimentos com substâncias tóxicas e adquire muitas doenças.
A culpa é do agronegócio!
Esse é o nome dado ao modelo de produção agrícola que domina o Brasil e o mundo. Esse jeito de produzir se sustenta nas grandes propriedades de terra (o latifúndio), uma grande quantidade de máquinas (que levam à expulsão das famílias do campo e à superpopulação das cidades), no pagamento de baixos salários (inclusive, trabalho escravo), muito lucro para as grandes empresas estrangeiras e na utilização de uma enorme quantidade de agrotóxicos.
A expansão desse modelo de produção agrícola é responsável pelo desmatamento,
envenena os alimentos e contamina a população.

Ao contrário do que dizem as grandes empresas, é possível uma produção em que todos comam alimentos saudáveis e diversificados. A saída é fortalecer a agricultura familiar e camponesa.
No lugar dos latifúndios, pequenas propriedades e Reforma Agrária. Desmatamento zero, acabando com devastação do ambiente. Em vez da expulsão campo, geração de trabalho e renda para a população do meio rural.
Novas tecnologias que contribuam com os trabalhadores e acabem com a utilização de agrotóxicos Proibição do uso dos venenos. Daí será possível um jeito diferente de produzir: a agroecologia.
Participe dessa campanha para acabar com os agrotóxicos!





Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida
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Campanha dos agrotóxicos lança caderno de formação
Conheça e participe da campanha contra os agrotóxicos!
Veja o cartaz da campanha
Conheça o logo da campanha
Faça o download do panfleto
Ouça especial de rádio "Os perigos dos agrotóxicos no Brasil"
Agrotóxicos livres de impostos causam problemas de saúde
Agrotóxicos aumentam índice de câncer no meio rural
“Precisamos conscientizar a população sobre os efeitos dos agrotóxicos”
Seminário discute impactos do uso abusivo dos agrotóxicos no país
Agrotóxicos aumentam índice de câncer no meio rural
Leia notícias sobre os impactos negativos dos agrotóxicos




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Campanha Contra os Agrotóxicos lança cartilha sobre malefícios desses venenos

27 de abril de 2012


Da Página do MST

A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, criada por mais de 30 entidades da sociedade civil brasileira, como movimentos sociais, entidades ambientalistas, estudantes e organizações ligadas à área da saúde, editou uma cartilha que explica os malefícios do uso de agrotóxicos na agricultura brasileira, e quais as alternativas para que esse modelo seja alterado.
Clique aqui para baixar cartilha contra os agrotoxicos

A cartilha "Plantando o amanhã" é voltada para o trabalho de base com camponeses, agricultores, assentados e trabalhadores rurais.

A campanha pretende ser um espaço no qual se discuta com a população sobre a falta de fiscalização no uso, consumo e venda de agrotóxicos, levantar o debate dos problemas que trazem para nossos solos e nossos rios e denunciar os impactos dos venenos na saúde dos trabalhadores, comunidades rurais e dos consumidores nas cidades.

O Brasil, desde 2009, se transformou no país que mais compra e utiliza agrotóxicos em todo o mundo: até mesmo venenos agrícolas que são proibidos em diversos países podem ser comercializados livremente por aqui. As multinacionais que vendem agrotóxicos lucraram mais de 9 bilhões de reais em 2011, somente no Brasil.

A cartilha aponta o modelo do agronegócio como o principal responsável por este aumento no consumo de agrotóxicos, pois “como os venenos custam muito caro, o latifundiário vai precisar produzir muito para poder ganhar um trocado, pois o dinheiro maior sempre fica para a empresa multinacional (que vende o veneno). Assim, como o latifundiário precisa produzir cada vez mais, ele vai destruindo cada vez mais a natureza, para abrir novas áreas de plantio e utilizar ainda mais veneno”.

A campanha tem como objetivos principais alertar a sociedade dos perigos causados pelos agrotóxicos para a saúde da população e o meio ambiente, denunciar as empresas multinacionais que comercializam os agrotóxicos e apontar o modelo da agroecologia como o projeto agrário que substitua o agronegócio, produzindo alimentos saudáveis e sem veneno.

Anexo
AgroCartilhaA5.pdf809.26 KB

Se partidos aliados ajudarem, imprensa e procurador prestarão contas na CPMI


PT quer investigar organização criminosa e isso inclui envolvimento da Veja no esquema de Carlinhos Cachoeira (foto) e o cochilo do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no andamento das investigações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, concluído em 2009. E governo promete não interferir nos trabalhos para poupar ou para livrar investigados. A reportagem é de Maria Inês Nassif e Najla Passos.

Se depender do PT, o jornalista Policarpo Júnior, a revista Veja, a editora Abril e quantos mais profissionais de imprensa comprovadamente tiverem atuado em conjunto com a organização do bicheiro Carlinhos Cachoeira serão chamados, a seu tempo, para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que, nessa semana, começa a revirar o esquema que envolvia o contraventor, o senador Demóstenes Torres (GO-sem partido), o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) e outros políticos, e tinha tentáculos em governos estaduais, em obras públicas federais e até no Poder Judiciário.

Não existem, contudo, garantias de que os demais partidos da base parlamentar do governo tomarão o mesmo rumo. E nem a certeza de que os integrantes da comissão resistirão aos holofotes das televisões e a embarcar na agenda que interessa à oposição e aos demais envolvidos no inquérito da PF: concentrar os trabalhos unicamente nas atividades de Cachoeira, Perillo e Torres, e eleger a construtora Delta como única algoz dos crimes cometidos.

Também não deverá ser poupado o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que engavetou, em 2009, os autos da Operação Las Vegas, feita pela Polícia Federal, que já tinha elementos suficientes para justificar juridicamente a investigação do senador Demóstenes e as relações de Cachoeira com diversas instâncias do poder público. “É insustentável o argumento do procurador, de que aguardava o resultado da Operação Monte Carlo, que só começou em 2011”, disse um membro do PT que tem uma posição de destaque na política nacional. “Este é um caso de aparelhamento da estrutura do Estado pelo crime organizado”, concluiu a fonte.

O partido também não tem a intenção de recuar para poupar o governador do DF, Agnelo Queiroz, se for efetivamente comprovada a sua participação no esquema: o que está em jogo vale mais do que um político vindo do PCdoB apenas para disputar a eleição do DF, sem vínculos orgânicos com o PT. E o Palácio do Planalto não pretende mover uma palha para interferir nos trabalhos dos parlamentares – isto quer dizer que qualquer pressão dos envolvidos sobre o Executivo será considerada como um “erro de endereço”.

“O que a CPMI se propõe a investigar é uma rede de negócios montada a partir de tráfico de influência. Seria justo julgar apenas um membro do Legislativo por esses crimes?”, indaga o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA). Por falta de confiança nos aliados, todavia, a ideia é não forçar depoimentos nem acusar culpas “a partir de notícias”. “Essa comissão é diferente das outras: já existe um vasto inquérito feito pela Polícia Federal”, explica Pinheiro. Os fatos fatalmente virão a público, na medida em que os autos do inquérito forem se abrindo aos membros da comissão. As convocações serão feitas conforme surgirem, de forma a não expor antecipadamente os integrantes da CPMI à pressão dos meios de comunicação.

Teoricamente, existiriam condições objetivas para levar com êxito essa estratégia na CPMI: a base governista tem maioria e vários integrantes foram vítimas diretas do esquema de escuta montado por Cachoeira, da ofensiva raivosa do senador Demóstenes Torres, ou de ambos. Na última semana, por exemplo, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, não cansava de repetir o seu lado de história para os demais colegas, em plenário, e para integrantes do governo Dilma.

Em 2007, em meio a um escândalo que envolvia a sua vida pessoal, Calheiros, então presidente da Câmara, conseguiu reverter, no Senado, uma tendência contrária à sua cassação pelo plenário da Casa. Na véspera da votação, a revista Veja publicou escutas e a versão da ida de um assessor do presidente do Senado a Goiás, para levantar algumas informações de interesse partidário.

A Veja reportou e vendeu a versão de que, na viagem, o objetivo de Francisco Escórcio era colher informações sobre o senador Demóstenes Torres – Renan, segundo a revista, estaria fazendo isso com vários senadores, para chantageá-los em plenário e obrigá-los a votar contra a sua cassação. Vários senadores, que já haviam fechado com Calheiros, mudaram o voto, argumentando que não poderia parecer à opinião pública que estariam se curvando a um esquema de chantagem. Para salvar o mandato, o senador alagoano abriu mão da Presidência do Senado.

Ainda que outros senadores do PMDB tenham razões e ressentimentos contra o esquema Cachoeira – existe a suspeita, por exemplo, de que foi o mesmo esquema de arapongagem do contraventor que provocou o caso Lunus, que acabou com a candidatura de Roseana Sarney à Presidência da República, em 2002 -, os parceiros petistas não confiam inteiramente na disposição de seus pares de comprar uma briga com a imprensa. Existem muitos interesses envolvidos, e essa pode ser uma chance de recomposição desses setores políticos com a mídia tradicional.

De qualquer forma, para o PT a CPMI é a porta de acesso aos autos não apenas da Operação Monte Carlo, objeto dos vazamentos que implicaram Demóstenes e Perillo no esquema Cachoeira, mas na Operação Las Vegas, que foi entregue pela PF ao procurador-geral da República em 2009, e da qual pouco se sabe. Seguramente, as informações dessa operação que antecedeu a Monte Carlo trazem o tamanho da omissão do procurador-geral da República. Ao que tudo indica, o resultado das investigações concluídas em 2009 já davam elementos suficientes para fechar o cerco em torno de Demóstenes e Perillo. Gurgel, o procurador, no mínimo beneficiou-os com a “cochilada”. Existe potencial para que os autos da primeira operação atinjam um número maior de pessoas, mas Gurgel pode ser um alvo unânime dos parlamentares. “Tem muita gente se perguntando por que o procurador foi tão rápido em processos que os envolviam, e tão lento nos que diziam respeito a Demóstenes”, disse uma fonte do PT.

Embora uma vastidão de interesses e ressentimentos seja um potencial mobilizador dessa CPI, a ação de parlamentares aliados, mesmo os da esquerda, relativizam essa possibilidade. Na semana passada, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) articulava às claras uma solução jurídica para impedir a convocação de jornalistas e empresas de comunicação. Invocou o artigo 207 do Código Penal, que proíbe a tomada de depoimentos das pessoas protegidas por segredo profissional. “Não se chama um padre para depor”, argumentava Teixeira. “Os jornalistas podem alegar essas razões para não depor, mas isso não impede que sejam chamadas”, contrapôs o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), também membro da comissão. A outra forma de concentrar excessivamente as investigações da CPI na Construtora Delta, do esquema de Cachoeira, foi um acordo feito entre oposição e chamados “independentes” de “seguir o dinheiro”, também uma proposta de Teixeira. As relações do esquema Cachoeira com a Veja, na opinião de parlamentares ouvidos pela Carta Maior não necessariamente envolveram dinheiro, embora obrigatoriamente tenham envolvido tráfico de influência, o que configura crime da mesma forma.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Palestra com Dr. Rosinha em Maringá

Palestra a Importância dos(as) Agentes Comunitários(as) de Saúde (ACS) e de Combate a Endemias (ACE) para a Saúde Pública.
Dia 03 de maio de 2012 às 19:00 horas no Auditório Hélio Moreira - Anexo ao Paço Municipal -Maringá – PR

Alimentos orgânicos nas garras do capital

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No entanto, o oportunismo de grandes transnacionais traz o risco de não haver uma “transformação”, mas sim, mais uma readequação ao já arcaico modelo. Sobre isso, a Caros Amigos conversou com Sebastião Pinheiro, especialista no tema. Engenheiro Agrônomo e Florestal, atualmente Pinheiro atua no Núcleo de Economia Alternativa (NEA), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Entre outros livros, ele escreveu “Ladrões de Natureza” e “A Agricultura Ecológica e a Máfia dos Agrotóxicos no Brasil”. Neste ano, ele lançou a “Cartilha da Saúde do Solo”, que aborda temas como a importância do pequeno agricultor apoderar-se das técnicas tradicionais e eficazes que compõem, segundo Pinheiro, a “verdadeira biotecnologia”. Os textos também trazem dados de como as grandes transnacionais estão inviabilizando a prática da agricultura dos pequenos produtores, criando um novo mercado baseado na biotecnologia industrial, pretensamente “orgânica”.
Como o senhor vê a questão dos agrotóxicos hoje?
Em 1978 eu comecei a dar treinamentos sobre o uso de agrotóxicos. Havia pessoas que defendiam o bom uso dos agrotóxicos, e eu sempre dizia que o melhor uso do agrotóxico é não usá-lo. Eles diziam que eu estava louco. Em 1981, eu fui enviado pra Alemanha por Delfim Netto, do Ministério do Planejamento. Lá, eu percebi uma coisa fantástica: na Alemanha, o agrotóxico era coisa do passado, já era assim em 1981. A Alemanha toda estava preparando a biotecnologia de ponta para o futuro. Eu cheguei lá e vi que só se falava em agricultura alternativa, que aqui, hoje, se chama de orgânica. E agora nós estamos ainda brigando contra os agrotóxicos.
E como está a situação dos transgênicos?
Eu comecei discutir os transgênicos em 1986. Eu dizia que essa coisa não iria longe, as indústrias tinham que ter alguma coisa guardada na manga. Ninguém é imbecil de comer veneno e ter câncer, mesmo que isso seja uma indústria lucrativa. Ninguém vê, mas comer veneno e ter câncer é altamente lucrativo. Basta ver os doutores de oncologia. Qualquer pessoa que chega aos 65 anos começa a reclamar que dói a próstata, dói isso e dói aquilo. Quando não deveria ser assim. Não deveria ser macabro. Eu deveria ser feliz até morrer. Os transgênicos começam a ser criados como artifício industrial militarista-econômico-financeiro em 1930.
Como é a regulamentação dos transgênicos?
Em 1988, houve a Constituinte. O então deputado Carlos Araújo, ex-marido da Dilma, em uma ocasião me perguntou o que eu achava da constituinte gaúcha. Eu disse que teria que ser acrescentado um item. Disse que surgiria um tema que iria fazer com que os agrotóxicos ficassem no chinelo: os transgênicos. As multinacionais iriam exacerbar sua atuação e iriam concentrar seu poder. Ele acrescentou o item e hoje o artigo existe, é o 251 da Constituição: “toda pesquisa, trabalho ou atividade que envolva organismos geneticamente modificados deverão ter permissão prévia do estado do Rio Grande do Sul”. Na constituição gaúcha está escrito isso.
Qual o destino dos agrotóxicos?
Nós temos a Lei 7802/89. Vou repetir uma conversa que eu tive com o pessoal do MST daqui [ Rio Grande do Sul]. Eu disse para eles que para cada ato de fiscalização que eles me trouxessem dessa lei, eu pagaria 100 dólares – não tenho, mas pagaria. Qualquer ato de fiscalização da Lei Nacional dos Agrotóxicos, em qualquer um dos 25 estados da Federação. Lógico, não deve ser zero, deve ter um ou dois, aqui ou ali, mas por quê? Porque é proibido fiscalizar! A quem beneficia a lei hoje? Preste atenção, qual é a palavra criada por Bush para o mundo: a palavra terror. A palavra mais importante do planeta nesses últimos 10 anos foi terror. O terror impõe medo. O terror é o medo que o pequeno impõe ao grande quando o grande não consegue controlar o pequeno. Isso é terrorismo. O medo faz parte do cotidiano das pessoas.
Quando você me traz a palavra agrotóxico, o contexto que eu vejo lá fora é de medo. Eu tenho medo do agrotóxico, então eu quero um alimento orgânico. Vai ser mais caro ou mais barato? Ele vai ser para uma elite mais abjeta e mais detestável. Essa é minha crítica à campanha dos agrotóxicos. Me dou muito bem com o Stédile, conheço ele, mas eu disse pra ele: não façam isso porque vocês não podem dar conta. Eu sempre uso uma expressão “ao inimigo eu não dou trégua, nem munição”. O problema do agrotóxico no mundo começa em 1961, quando a mulher norte-americana Rachel Carson, uma grande bióloga, descobre que está com câncer de mama, que era mortal naquela época. Ela escreve uma série de crônicas no New York Times sobre o que os Estados Unidos estavam fazendo com a sua agricultura. Na verdade, era o petróleo se transformando em agricultura. Ela compila isso no livro “Primavera Silenciosa”. Em 1968, tem início uma campanha contra os agrotóxicos no mundo inteiro. Quem é que faz essa campanha? As indústrias. Elas criam uma campanha controlada. Ou seja, conduzida e manipulada pelos interesses delas. Elas usavam a tecnologia. Quem tinha tecnologia de ponta de agrotóxico? Alemanha: 95%; Shell (anglo-holandesa); ESSO (grupo Rockfeller).
É possível produzir alimentos orgânicos para toda a sociedade? E por que não? De que forma se trabalha para isso?
Nós estamos fazendo uma campanha diferente. Nessa campanha, um curso foi dado ao MST, nos Filhos de Sepé, em Viamão (RS), durante três dias. Eu não estou mais falando de veneno, vou explicar o porquê. O veneno é um problema da indústria, não é um problema nosso. Qual é a minha preocupação: eu tenho um solo, se o solo é são, a semente colocada nele irá se desenvolver de forma sadia, o fruto dessa planta será sadio e quem comer o alimento vai ter saúde. Temos uma trilogia: solo são, planta sã, homem são. Preciso gastar algum dinheiro ou preciso trazer educação? Eu não retrocedo. A indústria pode induzir e manipular, mas eu estou lá na frente. A indústria jamais quer sua imagem afetada. Ninguém limpa a imagem de um produto no mercado. Hoje as empresas do ramo dos agrotóxicos estão com o pé preso. E eu vou manter o pé delas preso. A Bayer não vai se tornar uma empresa “sustentável” de “inóculos saudáveis”. Inóculos saudáveis são aqueles das vovós sertanejas. Aquilo sim é biotecnologia, aquilo sim é agroecologia crioula, cabocla, nativa, negra. A da Bayer, não. A briga não mudou de plano. O plano é o mesmo. A Bayer é uma empresa que fabrica o mesmo produto, o que mudou foi a matriz.
A luta tem de ser travada em qual plano?
Qual é o futuro? O futuro tem uma matriz tecnológica: a biotecnologia. Se você não souber biotecnologia, cai fora. Sai da reta porque eles vão passar por cima. É preciso dominar a biotecnologia quilombola, crioula. Se eles vão criar um mercado para daqui 25 anos, eu não estou preocupado com eles. Eu estou preparando esse mercado para dentro de três anos. Os orgânicos do Rio Grande do Sul são um dos melhores do mundo e não são elitizados. É isso que nós temos que fazer, senão eu danço a música que o outro toca.
Há um interesse das transnacionais nos produtos orgânicos?
A Inglaterra é campeã em te manipular e te induzir. Ela é a contra-inteligência hoje. Não pense que a Bayer, com um orçamento que é quatro vezes o do Brasil, e não tem 200 milhões de habitantes, não protege a sua marca, o seu nome. Em 1986, eu estava no Ifoam, a Federação Internacional dos Movimentos da Agricultura Orgânica, e o José Lutzenberger foi falar pela América Latina, e eu, pelo Brasil. A preocupação era o caso dos agrotóxicos no Brasil. Na hora do cafezinho, me disseram que tinha um cara com um crachá da Bayer no peito. Eu fui conferir. Chego lá, são quatro pessoas de gravata e terno preto. Eu olhei pra eles e falei em alemão: “Perdoem a minha indiscrição, eu teria uma pergunta para fazer para os senhores: esse aqui é o quinto congresso mundial de agricultura orgânica, o que a vossa empresa faz aqui?”. Sabe o que o cara me disse: “Saiba você que esse será o nosso maior departamento para dentro de 20 anos”. Ou seja, a Bayer já projetava como ia ganhar dinheiro no futuro.
Qual seria a participação deles nesse novo mercado?
Às vezes você nem vê. Eles estão aqui porque agora eles não são a linha de frente da Andef [Associação Nacional dos Defensivos Agrícolas, hoje, Associação Nacional de Defesa Vegetal], quando subornavam os funcionários burocratas do Ministério da Agricultura e quando corrompiam. Eu já presenciei várias vezes, em plena ditadura, aqui no Rio Grande do Sul, eles pegarem centenas de cruzeiros e colocarem na mão do jornalista para que ele fizesse uma matéria favorável a eles. Hoje eles estão na Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo].
Qual é o papel específico das empresas nessa nova economia?
Você acredita ainda que existe o Estado-Nacional? Nem nos Estados Unidos existe. O que existe hoje é um colegiado de grandes empresas. Se quiser rir um pouco: Jorge Gerdau Johannpeter faz parte do governo Tarso Genro. E o pior é que o Tarso não sabe. E nós não nos damos conta disso. Hoje o jogo é esse. Não há Estado-Nacional. Quem manda é um colegiado de empresas. A palavra máxima de Adolf Hitler era a eugenia. Se você come cesta básica, eu não preciso te tirar o direito de voto, ele cai por si só. Se você comer orgânico, você é ascendido. Que tipo de sociedade é essa onde o pobre é obrigado a comer merda e o rico pode pagar mais caro por um alimento orgânico? Ela é democrática, fraterna? Não. É uma sociedade fascista. E não tem futuro.
Qual a responsabilidade que as indústrias têm sobre os agrotóxicos?
Quando uma indústria cria um agrotóxico, a primeira preocupação dela é procurar um governo que o registre. Porque a indústria só tem responsabilidade por 99 anos. A responsabilidade de um governo é eterna. Quem registra é o governo. Ele assume o interesse da indústria e executa o que a indústria quer. Por isso que, nos Estados Unidos, quando a indústria quer registrar algo, o Tio Sam diz: “eu registro, mas quero um depósito de 250 milhões de dólares para garantia de que não há o falseamento de nenhum dos dados e se houver algum problema eu não distribuo na costa do povo americano”. Recentemente, deu uma confusão com uma merendeira de uma escola com relação a um veneno de rato colocado na comida. Eles não estão discutindo uma questão mais importante. A empresa do veneno, chamada Nitrosin, faliu há 30 anos. Eu só observo e penso quem é quem e por quê. Tudo, hoje, é jogo de inteligência. A coisa funciona assim: o décimo quarto assessor da OMC, não é o primeiro, é o décimo quarto, liga para o presidente e fala “senhor presidente, aquele crédito que o senhor precisa para habitação, saúde, infraestrutura está pronto para ser liberado, estou com a caneta na mão, só precisamos de uma coisa: transgênicos, agrotóxicos…”. É assim que funciona. Se eles quiserem, ainda, telefonam pra Globo, SBT, Bandeirantes.
Quais os países que registram os agrotóxicos?
Hoje, é Brasil. Brasil e China.
Há algum episódio marcante em função do uso dos agrotóxicos no Rio Grande do Sul?
Um dia eu estava na UFRGS e chega uma menina e diz que é de Santa Cruz do Sul. Ela fala que vários pais dos amigos dela de Venâncio Aires estavam se suicidando. Eu perguntei se eram produtores de fumo, ela confirmou. Como ela era advogada, eu sugeri que ela pegasse os prontuários das ocorrências. Indiquei que pegasse os dos últimos dez anos. Na Argentina, onde eu estudei, um professor uma vez me disse que no momento em que os inseticidas fosforados foram introduzidos na fumicultura, os suicídios cresceram em nove mil por cento. Depois de um tempo, eu comecei a montar os perfis dos prontuários que ela trouxe. Começamos a trabalhar eu, ela e mais dois: um médico com especialização em mortalidade e um especialista em fosforados.
Num certo momento, eu falei para ela que não estava gostando do que estávamos fazendo. Nós estávamos trabalhando conforme a ciência acadêmica brasileira e eu não sou isso, nunca fui e nem quero ser. Eu disse que nós tínhamos que ter uma atitude. E uma atitude não era pesquisar a desgraça alheia. A atitude teria que ser parar com aquela merda. Ela me perguntou o que poderíamos fazer. Eu disse que deveríamos ir à comissão de Direitos Humanos e falar com um deputado bastante interessante, que depois não se elegeu mais, o nome dele era Marcos Rolim. Ele olhou e propôs que fizéssemos uma audiência pública, que era o que nós queríamos. Nós tínhamos encontrando que, no Rio Grande do Sul, havia o dobro de suicídios em comparação com o Brasil, e Venâncio Aires tinha quatro vezes o número do Rio Grande do Sul. Isso é um dado que assusta. Os resultados causaram uma comoção mundial. Se você procurar na agência espanhola, Reuters, AP, AFP, a agência alemã, todo mundo repercutiu a denúncia de Venâncio Aires. No mundo, o suicídio mais comum é na faixa etária entre 17 e 18 anos ou entre 60 e 70. Em Venâncio Aires, era entre 30 e 35.
Como essas indústrias estão interferindo na forma de pensar a agricultura?
Você sabe quem está fazendo a “Revolução Verde” na África, sem agrotóxico? Kofi Annan, Bill & Melinda Gates, Fundação Rockfeller, Embrapa. Todos estão lá e você pensa “o que tem a Embrapa a ver com a África?”. Os maiores centros financeiros do mundo estão na África e nós não estamos nem nos dando conta disso, nem sabemos o que significa. O nosso problema, hoje, é que nós não nos adaptamos à OMC e à economia globalizada. Um dado impressionante é que a Nestlé está fazendo contratos de agroecologia com agricultores nordestinos, aqui no Brasil. Orgânicos para a Nestlé! A lei brasileira de orgânicos não tem nada a ver com agricultores, ela se chama 10831/03. Hoje, na Etiópia, existem 40 milhões de pessoas passando fome. Sabe qual é a proposta da Nestlé e da Pepsico? Barrinhas de cereais. Uma barra de cereal tem um custo de 0,01 centavo de dólar. Ela deve ser vendida a 3 dólares para as Nações Unidas. Dá margem de lucro ou não dá? Hoje, para produzir orgânicos, você precisa pagar um certificado de orgânico que pode custar até 25 mil dólares. A lei te obriga a fazer uma certificação de alimento orgânico pela Ecocert, por exemplo.
* Publicado originalmente na revista Caros Amigos e retirado do site EcoAgência.

ABRASCO lança primeira parte do dossiê que alerta sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde dos brasileiros


 
A ABRASCO, através do seu grupo Diálogos e Convergências, coletivo composto por representantes de vários grupos temáticos da Associação, lançou ontem um dossiê sobre o impactos dos agrotóxicos na saúde dos brasileiros. O documento, lançado no Congresso Mundial de Alimentação e Nutrição em Saúde Pública (WNRio 2012), tem como objetivo sensibilizar, por meio de evidências científicas, as autoridades públicas nacionais e internacionais para a construção de políticas públicas que posam proteger e promover a saúde humana e dos ecossistemas impactados por esses produtos químicos.
"O dossiê é um alerta da Associação Brasileira de Saúde Coletiva à sociedade e ao Estado brasileiro. Registra e difunde a preocupação de pesquisadores, professores e profissionais com a escalada ascendente de uso de agrotóxicos no país e a contaminação do ambiente e das pessoas dela resultante, com severos impactos sobre a saúde pública", afirma Luiz Augusto Facchini, presidente da ABRASCO. Segundo Facchini, a identificação de numerosos estudos que comprovam os graves e diversos danos à saúde provocados pelos agrotóxicos impulsiona esta iniciativa. "Constatar a amplitude da população à qual o risco é imposto mostra a sua relevância: trabalhadores das fábricas de agrotóxicos, da agricultura, da saúde pública, a população do entorno das fábricas e das áreas agrícolas, além dos consumidores de alimentos contaminados, toda a população em fim, como evidenciam os dados oficiais", ressalta Facchini. Além dos efeitos imediatos, como intoxicação e morte, os efeitos crônicos podem ocorrer meses, anos ou até décadas após a exposição, manifestando-se em várias doenças como cânceres, malformação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais.
"Nos últimos três anos o Brasil vem ocupando o lugar de maior consumidor de agrotóxicos no mundo. Os impactos à saúde pública são amplos porque atingem vastos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais. Tais impactos são associados ao nosso atual modelo de desenvolvimento, voltado prioritariamente para a produção de bens primários para exportação", afirmou Fernando Carneiro, do GT Saúde e Ambiente da ABRASCO, que coordenou a elaboração do documento.
Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Observatório da Industria dos Agrotóxicos da UFPR, divulgados durante o 2º Seminário sobre Mercado de Agrotóxicos e Regulação, realizado em Brasília (DF), em abril de 2012, enquanto, nos últimos dez anos, o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, o mercado brasileiro cresceu 190%. Em 2008, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e assumiu o posto de maior mercado mundial de agrotóxicos. O resultado dessa crescente dependência dos agrotóxicos e fertilizantes químicos é que um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado, segundo análise de amostras coletadas em todas as 26 Unidades Federadas do Brasil, realizadas pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) da ANVISA (2011).
A segunda parte do dossiê, que terá como tema "Agrotóxicos, Saúde e Sustentabilidade", será lançada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20) - Cúpula dos Povos, durante a Rio +20 por Justiça Social e Ambiental, de 20 a 22 de junho.

O dossiê sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde dos brasileiros é um documento aberto, em constante construção. Participe através do
Fórum aberto no nosso site contribuindo com textos teóricos, metodológicos, resultados de estudos, evidências de impactos, desafios e propostas!
Clique no link a seguir e assista "o veneno está na mesa", de Silvio Tendler, documentário que ilustra muitas das questões abordadas no dossiê.

IV Encontro Regional de Economia Solidária Região Noroeste do Paraná!


Nesta Segunda Feira, 30 de Abril, foi realizado na Escola Milton Santos de Agroecologia, na divisa com Paiçandu, o 4º Encontro Regional de Economia Solidária da Região Noroeste do Paraná, que antecede o 5º Encontro do Fórum de Economia Solidária do Paraná, que acontecerá em Curitiba.

No Encontro foram selecionados os delegados que estarão representando a Região Noroeste.

Assita as entrevistas e entenda o que é a Economia Solidária!







Campanha Permanente Contra Agrotóxicos Comitê Maringá

CADERNO DE FORMAÇÃO
Clicar na Imagem para Baixar!
 Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

 

Palestra com Dr. Rosinha em Maringá

Em 3 de maio, uma quinta-feira, Dr. Rosinha (PT) dará palestra em Maringá. Veja os detalhes no convite, abaixo.